História do distrito de Braga

 

B r a s i l e i r i s s i m a    -   Micheline & Fabíola - vídeos e fotografias  -  História do distrito de Braga   -  Amares  -  Braga  -  Barcelos  -  Cabeceira de Bastos  -  Celorico de Basto  -  Esposende  -  Fafe  -  Guimarães  -  Póvoa de Lanhoso Terras de  Bouro  -  Vieira do Minho  -  Vila Nova de Famalicão  -  Vila Verde Vizela  -  História do distrito de Viana do Castelo Arcos de Valdevez  -  Caminha  -  Melgaço  -  Monção  -  Paredes de Coura  -  Ponte da Barca  -  Ponte de Lima  -  Valença  -  Viana do Castelo  -  Vila Nova de Cerveira 

O distrito de Braga é um distrito português pertencente à província tradicional do Minho;

Limita a norte com o distrito de Viana do Castelo e com Espanha, a leste com o distrito de Vila Real, e a sul com o distrito do Porto. A oeste com o oceano Atlântico;

 

Tem uma área de 2 706 km² (16.º maior distrito português) e uma população residente de 956 185 habitantes (2011);

 

A sede do distrito é a cidade com o mesmo nome.

Gostaria de dar meu toque pessoal nesta página, na visão  de um brasileiro que chegou a pouco, é claro que ao longo dos tempos irei ajustando este tópico, mas no momento tenho a destacar no distrito de Braga o seguinte:

 

-Povo acolhedor, de educação que nos constrange;

-Cada concelho, cada freguesia, tem seu charme, sua riqueza, é raro, encontrar uma freguesia que você consiga dizer, não gostei;

 

-Poderia resumir: 1) O Gerês que é um encanto; 2) Barcelos com sua feira tradicional as quintas feira e a cerâmica artística;  3) Esposende com suas praias; 4) Guimarães, sua riqueza histórica, fala por si e 5)Braga que, tem seu tamanho ideal, não é grande e nem pequena, é charmosa, é moderna, á fantástica!

Braga                                                Gerês (Viera do Minho e Terras de Bouro)     Barcelos                                            Esposende                                        Guimarães                  

 

Concelho de Amares

Amares é um município português localizado no distrito de Braga, na região norte e sub-região do Cávado. É um município com 18 889 habitantes, de acordo com os censos de 2011, estando dividido em 16 freguesias em 81,95 km². Amares é limitado a norte e a nordeste por Terras de Bouro, a sueste por Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso, a sul por Braga e a noroeste por Vila Verde;

As 16 freguesias do concelho de Amares são: Amares e Figueiredo, Barreiros, Bico, Caires, Caldelas, Sequeiros e Paranhos, Carrazedo, Dornelas, Ferreiros, Prozelo e Besteiros, Fiscal, Goães, Lago, Rendufe, Santa Maria do Bouro, Santa Marta do Bouro, Torre e Portela e Vilela, Seramil e Paredes Secas.

 

Concelho  de Braga

Com mais de 2000 anos de história Braga é a mais antiga cidade portuguesa e uma das cidades cristãs mais antigas do mundo;

Fundada pelos romanos no ano 16 a.C. e denominada de “Bracara Augusta” em honra do imperador César Augusto. Foi capital da Galécia, de onde irradiavam 5 Vias Romanas, com um vasto território que ía desde o norte do Douro até ao Cantábrico. Após conquistas e reconquistas de vários povos, o rei de Leão, D. Afonso IV doou-a como dote a sua filha D. Teresa, aquando do seu casamento com o Conde D. Henrique de Borgonha;

A longa história de Braga é visível nos seus monumentos e igrejas, sendo a Catedral a mais imponente que exibe vários estilos, do romano ao barroco, orgulhando-se também das esplêndidas casas, particularmente do século XVIII;

Cidade jovem, cosmopolita e multicultural, Braga exibe com confiança um amplo leque de cenários de sucesso e prosperidade, estendendo os seus braços tutelares e empreendedores a áreas tão vitais como a cultura, o comércio, a indústria e os serviços;

Quem nos visita tem a possibilidade de assistir a um programa turístico-cultural diversificado, fazendo um percurso civilizacional documentado desde a Pré-História até aos nossos dias e viver a autêntica cultura do Minho, gravada no vasto património, nos grupos etnográficos, nas festas, feiras e romarias, bem como no artesanato rico e variado.

 

Concelho de Barcelos

Barcelos não é apenas a cidade do galo. A sua história e a riqueza do seu património transformam-na numa das principais cidades do Norte de Portugal;

 

A cidade de Barcelos é um dos pólos do norte do país com uma cultura mais vasta e arreigada. Desde sempre a cidade foi residência de homens ligados ao poder regional e estatal, o que lhe confere um estatuto de intensa dinâmica cultural, manifestado na riqueza arquitectónica, monumental e artística bem como na diversidade e fama das suas tradições;

 

O grande espólio de monumentos da cidade é a marca visível e material desse legado, herança cultural da cidade e do país. É possível encontrar em Barcelos manifestações artísticas e arquitectónicas que vão desde a Pré-História, como por exemplo o menir proveniente dos Feitos e que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos, a expressões do século I d.C., como o balneário de Galegos Santa Maria ou do século XIV como a Igreja Matriz;

Notável nesta cidade é a Estação Arqueológica do Castelo de Faria, lugar onde se deu o feito imortalizado por Alexandre Herculano na obra «Lendas e Narrativas». Já na Idade Média, destaca-se em Barcelos as igrejas medievais de Abade de Neiva e Manhete, exemplos máximos da arquitectura românica em Portugal;

A Igreja Matriz, falando em românico, apresenta já alguns traços góticos trazidos pelo século XIV em Portugal, entre eles os marcados ogivais típicos desta altura. Esses arcos estão também presentes na ponte que liga Barcelos a Barcelinhos, sendo da mesma forma uma mescla de estilos entre o Românico e o Gótico;

O Paço Condal apresenta-se como uma das mais fortes imagens da cidade, servindo actualmente de Museu Arqueológico. É junto a esta obra que está o Pelourinho da cidade que forma juntamente com o Solar dos Pinheiros, dos Carmonas e a Torre da Porta Nova um dos mais importantes conjuntos medievais em bom estado de conservação;

  

Deve-se ter em conta que Barcelos sofreu no século XVIII uma grande explosão a nível dos monumentos de traçado barroco, do qual o Templo do Bom Jesus da Cruz e o Passeio dos Assentos são os mais fiéis testemunhos;

Barcelos significa «terra ribeirinha e plana», expressão presente nos mais antigos documentos referentes à cidade. Porém, «coração do Minho» ou «Princesa do Cavado» são também nomes encontrados para designar esta cidade monumental, sede de um grande concelho com vasto poder político desde a Idade Média. Barcelos foi desde sempre, também, um importante ponto comercial do Norte, com uma feira semanal que se realiza actualmente às quintas-feiras mas que acontece já desde o século XIII;

A história de Barcelos começa a ganhar relevo a partir do século XII, quando D. Afonso Henriques lhe dá a carta-foral, mais tarde confirmada por Afonso II. D. Dinis transforma-a no primeiro condado português, elevado a ducado por D. Sebastião e ficando a pertencer à Casa de Bragança. Barcelos torna-se um importante centro da região e sede administrativa, conhecendo um período de grande alteração da sua fisionomia arquitectónica.

 

Concelho Cabeceiras de Basto

Entre as serranias da Cabreira e do Marão, num extenso vale que ocupa mais de 18km no sentido mais longo e 8km de largo, mesmo à margem do Rio Tâmega, encontra-se Cabeceiras de Basto, um dos mais antigos e históricos concelhos do Minho. Cabeceiras de Basto é uma terra antiga e por isso uma terra sábia. Uma terra que soube preservar a paisagem na qual convivem o Minho e Trás-os-Montes;

Riquezas de um lado, riquezas do outro, este concelho apresenta um vasto património paisagístico e arquitectónico, cunhado pelas marcas, pelos saberes e sabores tradicionais, testemunhos de um povo e do seu modus vivendi;

Integrado nas Terras de Basto, pequena sub-região com características individualizantes e próprias, outrora uma vasta circunscrição administrativa na bacia média do Tâmega, já em 1258 estava organizada com três julgados: o de Cabeceiras de Basto, o de Celorico de Basto e o de Amarante. Este último, quase limitado à sua Villa e a Telões, onde se haviam implantado vários mosteiros e uma importante fidalguia medieval. Em 1220 esta circunscrição compreendia ainda Mondim de Basto, algumas localidades dos concelhos de Amarante e Felgueiras, Ribeira de Pena e Vieira do Minho. Actualmente abrange uma área territorial de 239km2 por onde se espalham 8 freguesias e 4 uniões de freguesias (Alvite e Passos; Arco de Baúlhe e Vila Nune; Gondiães e Vilar de Cunhas; Refojos de Basto, Outeiro e Painzela). deve ler-se também 16.710 habitantes (Censos 2011);

Mas a história do concelho perde-se no tempo. Apesar da pouca informação existente sobre o seu primitivo povoamento, vários achados arqueológicos permitem dizer, com convicção, que Cabeceiras de Basto remonta a um período anterior a Cristo, nomeadamente a épocas pré-românicas, senão antes, pela existência de vestígios castrenses e construções dolménicas. Também a arqueologia, nos desvenda outras informações através das ruínas do Mosteiro de St.ª Comba, onde se supõe terá existido, um tempo de vestais. Os objectos de cerâmica e inscrições achadas, as estátuas de guerreiros e as moedas de prata e bronze com as efígies de Augusto, Galliano e Constantino dão força à tese da existência da povoação no tempo dos romanos;

A própria etimologia de Cabeceiras de Basto, apesar de controversa, leva-nos a crer que o primeiro povo que deu o nome à região foram os Bastos (Bástulos ou bastianos) que, oriundos da Andaluzia, passaram por esta bela província de Entre Douro e Minho e fundaram uma cidade chamada Basto, que se localizava próxima do Mosteiro de Santa Senhorinha, cuja presença árabe nestas terras, se encarregou de destruir. Corria o ano de 711. Daí que, com Cabeceiras no sentido de cabeça destas antigas regiões e Basto de Bástulos, se explique a designação deste concelho No entanto, entre o século XII e XVI, é praticamente inexistente a documentação escrita sobre Cabeceiras de Basto. Apesar de se tratar de uma povoação antiga, que gozava de grande prosperidade, como atesta o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, outrora o mais rico do Minho, só em 1514 é que Cabeceiras vê criado o concelho, por Foral de D. Manuel I. Foi, igualmente, um importante centro de peregrinação na Idade Média. Por este motivo a ele se associaram nomes de santos, nobres e guerreiros como são o caso de Santa Senhorinha de Basto, D. Pedro, D. Inês de Castro, D. Nuno Álvares Pereira, que aqui casou em 1376;

Aqui passaram, também, nomes de vulto ligados à literatura como Sá de Miranda com a obra “Carta a D. António Pereira”, senhor de Basto, Bernardim Ribeiro e Camilo Castelo Branco, com várias das suas obras a referirem Cabeceiras de Basto, nomeadamente, a “Bruxa de Monte Cordova” e “Noites de Lamego”. No entanto, além desta vertente cultural, quando percorremos o concelho de Cabeceiras de Basto deparamos com uma série de monumentos, alguns dos quais, de interesse nacional (como é o caso do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e a Ponte de Cavez) e casas solarengas datadas, a maioria delas, dos séculos XVII, XVIII e XIX, que conferem à região um cunho ímpar e, simultaneamente, desvendam alguns dos segredos que a história guardou das gentes que por aqui passaram. Construções que, por montes e vales, vão pincelando este quadro de grande beleza, reflexos das marcas dos tempo, das vivências dos povos que desde a antiguidade o elegeram para viver;

Consequentemente, aos elegerem esta terra para viver, nela construíram lugares da memória, lugares da nossa identidade, nos quais o tempo registou os itinerários, os sítios e os vestígios, as coisas e o que delas pensavam, as gerações que nos antecederam.

 

Concelho de Celorico de Bastos 

Celorico de Basto terá sido ocupado desde tempos muito remotos, tal como nos testemunham as marcas que as civilizações mais antigas por aqui deixaram. Os mais antigos vestígios de povoamento do espaço geográfico actual do concelho de Celorico de Basto são atribuíveis ao início do megalitismo, portanto ao Neolítico Médio (5.510 B.P.). Para este período pode apontar-se o grande conjunto de mamoas do Planalto da Lameira. Já o grande conjunto de habitats de fossas pode genericamente apontar-se para o período da idade do Bronze. Da Idade do Ferro destaca-se o povoado de Bouça de Mosqueiros, em Britelo, o Castro do Ladário, em Ribas, o Castro de Barrega, em Borba e o Castro de Ourilhe e outros de menor relevância. A Romanização está bem patente em Celorico de Basto e as marcas deste período encontram-se um pouco por todo o espaço concelho;

 

O clima benigno, a abundância de pastagens, a boa água a jorrar das nascentes e os cimos dos montes de onde se pudesse lobrigar eventual inimigo, foram condições propícias à fixação dos homens primitivos nestas terras, quando começaram a trocar a vida nómada pela sedentária;

A Citânia do Ladário, a Estela de Vila Boa na freguesia do Rego, O castelo de Arnóia e proximidades, os inúmeros vestígios arqueológicos do Planalto da Lameira, os restos dos castros em várias freguesias, representam um sólido argumento a demonstrar que esta terra foi habitada há milhares de anos.;

O concelho de Celorico de Basto encontra-se situado no extremo do distrito de Braga e confronta com espaços terminais do Douro e Trás-os-Montes.

A paisagem, a água, a gastronomia, o artesanato e as tradições são as riquezas deste povo de montanha, que abrindo alguns dos seus solares e deslumbrantes jardins ao turismo, possibilitam ao visitante desfrutar, no seio de uma comunidade rural tranquila, a prática de desportos radicais e, em simultâneo, apreciar calmamente os gostos e sabores apurados ao longo de gerações.

 

Concelho de Esposende

Esposende fica situado no distrito de Braga, sendo o seu único concelho com ligação ao Oceano Atlântico. É uma tira da costa litoral portuguesa, no eixo Atlântico entre Vigo e o Porto. Situa-se nas proximidades das cidades de Barcelos, Braga, Viana do Castelo e Póvoa de Varzim;

 

A ocupação humana na área do actual Concelho de Esposende é muito antiga, havendo testemunhos arqueológicos que remontam a uma pré-história que apenas restam os artefactos de pedra ou de cerâmica. As indústrias dos metais estão também presentes na arqueologia da região, e a ocupação romana é conhecida por via arqueológica e documental. Assim também para os reinos bárbaros e para a Idade Média;

 

A época das grandes navegações atlânticas foi significativa para Esposende, e os povos clamaram ao Rei, repetidas vezes, por privilégios que lhes tardavam em chegar. Por isso a data de 1572 tem tanto eco na memória colectiva de Esposende: D. Sebastião elevou a Vila o então “lugar”, criando o Município que hoje subsiste;

 

À tradicional indústria da extracção do sal, e à agricultura e pastorícias coevas, juntou-se, na era das navegações, a construção naval e o comércio marítimo. O ouro do Brasil também chegou a Esposende. Mais tarde, partiram alguns para regressarem depois como “brasileiros de torna viagem”. Não é de estranhar que a riqueza patrimonial tenha uma marca forte desses séculos, posteriores ao XVI;

 

Num concelho que concilia todas as vertentes da natureza, Esposende tem para oferecer extensos areais e dunas, pinhais e zonas florestais, montes e arriba fóssil, rios e mar, tudo enquadrado num equilíbrio dinâmico e que permitem afirmar: “Esposende, um privilégio da natureza”;

 

O estuário do Cávado e sapal que lhe está associado, apresentam-se como um local estratégico para as aves migratórias que procuram nestas paragens um refúgio para o frio dos invernos mais rigorosos do Norte e Centro da Europa. O rio Neiva e suas águas límpidas, o verde do pinhal de Ofir e as vistas deslumbrantes que os diversos miradouros oferecem sobre Esposende, são apenas alguns dos motivos de interesse do concelho em que a riqueza da paisagem natural e do património construído pela mão humana, como são o caso dos moinhos de ventos, os campos em masseira, as azenhas e os castros, conjugam-se numa harmonia única, constituindo paisagens de elevado valor cénico e ambiental e que confirmam Esposende como um dos mais belos concelhos da região Norte.

Concelho de Fafe

 

O atual concelho de Fafe desenvolvia-se, até às reformas liberais do século XIX, sob a designação de Monte Longo, com apenas onze freguesias e vindo já de tempos anteriores à fundação da nacionalidade;

Foi por esse território concelhio que andaram povos antigos, como os celtas e os romanos, de cuja ocupação existem abundantes vestígios arqueológicos ainda visíveis. Na verdade, as condições morfológicas existentes no território que actualmente constitui o concelho, possibilitaram a implantação de núcleos pré-históricos, bem como a fixação de comunidades proto-históricas, havendo igualmente notícia de alguns (poucos) núcleos de povoamento romano;

 

Terá, assim, havido ocupação humana neste espaço pelo menos desde o século V antes de Cristo. O mais conhecido sítio arqueológico do município, de que há notícia desde finais do século XIX, é o Povoado de Santo Ovídio, às portas da cidade. Por volta de 1870, aí foi descoberta pelo arqueólogo Martins Sarmento uma estátua de guerreiro galaico, na altura em que se abriam os alicerces para a construção da capela em honra de Santo Ovídio, a qual se encontra desde essa altura no Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães;

Todavia, com segurança, pode considerar-se que o antiquíssimo Monte Longo era um município medieval, sendo emblemática desse período a Igreja Românica de Arões (século XIII), único monumento nacional existente no concelho.

Concelho de Guimarães

 

Guimarães situa-se no distrito de Braga, sendo a maior cidade e concelho da sub-região do Vale do Ave. O concelho é constituído por 69 freguesias;

A origem de Guimarães remonta a uma villa, Vimaranes, onde, no século X, a Condessa Mumadona Dias mandou construir o Convento e o Castelo, em volta dos quais se desenvolveu o burgo. D. Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro rei de Portugal, filho do Conde D. Henrique e de D. Teresa, nasceu em Guimarães, em 1111. Em 1128, no dia 24 de junho, em prol da independência do então Condado Portucalense, face ao reino de Leão, enfrenta e vence, com as suas hostes, as forças leais a sua mãe, no Campo de São Mamede, junto ao Castelo. A vitória alcançada por D. Afonso Henriques marca assim o nascimento da Nação Portuguesa, e por isso Guimarães é chamada o Berço da Nacionalidade. Em 1853, a vila é elevada à categoria de cidade e começou a crescer para fora do recinto da muralha;

A 13 de Dezembro de 2001, o Comité do Património Mundial, na sua 25.ª sessão, inscreveu o Centro Histórico de Guimarães na Lista do Património Mundial da UNESCO. Para isso concorreram diversos fatores, entre os quais a ligação de Guimarães à fundação da nacionalidade portuguesa, as técnicas de construção aí desenvolvidas na Idade Média e o facto de a cidade ilustrar a evolução de vários tipos de construção, nomeadamente dos séculos XV a XIX e, ainda, o rigor da intervenção e pelo seu carácter exemplar, a reabilitação do Centro Histórico;

A Guimarães atual soube conciliar a sua história, a preservação do património cultural e social, a qualidade de vida da população e as suas tradições populares, de que as festas Nicolinas e as festas Gualterianas são um exemplo, com o dinamismo e empreendedorismo que caracterizam as cidades modernas, num equilíbrio que se traduziu na sua nomeação para Capital Europeia da Cultura em 2012. De entre os diversos aspetos do evento sublinham-se os seguintes: Guimarães 2012 não representou um ónus financeiro para o Estado português, antes contribuiu para minorar o impacto da recessão económica na região envolvente; a vasta programação caracterizou-se pela qualidade e pela diversidade; houve envolvimento da comunidade e dos agentes culturais locais, descentralização dos eventos e utilização recorrente do espaço público como palco de eventos culturais; a qualidade das obras realizadas, na sua maior parte previstas há anos nos programas da autarquia; no geral, os objetivos foram cumpridos; no geral, a apreciação do público e dos diversos intervenientes, foi muito favorável;

Cabe a Guimarães, agora ainda com maior responsabilidade, enfrentar os desafios do futuro, capitalizando os êxitos e mais-valias gerados pela Capital Europeia da Cultura e dando continuidade ao trabalho de descentralização e de ligação com as periferias geográficas e sociais.

Concelho de Póvoa de Lanhoso

 

A Póvoa de Lanhoso é um concelho criado por Carta de Foral de D. Dinis, outorgada a 25 de Setembro de 1292, a partir das terras do Julgado de Lanhoso, onde se inseriam algumas terras coutadas, com particular destaque para o Couto de Fontarcada;

Renovada a Carta de Foral por D. Manuel a 04 de janeiro de 1514, será por D. Sebastião Instituída a Donataria em 1563 em D. Garcia de Menezes (como se pode conferir no Livro de Alvarás e Cartas de Privilégio), privilégio que será sucessivamente confirmado na família dos Condes de Castelo-Branco e Condes do Sabugal, assim se mantendo até às reformas liberais do primeiro liberalismo, quando são extintas, datando o último visto em correção do ano de 1830;

A documentação existente no arquivo municipal da Póvoa de Lanhoso é essencialmente a que foi produzida a partir do segundo quartel do século XIX, sendo muito escassa e avulsa toda a documentação anterior a 1820;

A história moderna da Póvoa de Lanhoso está, aliás intimamente ligada às alterações operadas no período do Liberalismo, quando as suas gentes tiveram significativa expressão no despoletar da Revolução de 1846, conhecida como Revolução do Minho ou mais expressivamente reconhecida como Revolta da Maria da Fonte;

Ligada à história destes episódios da revolta popular, existem mesmo alguns relatos que referem autos de fé de documentação municipal, o que poderia explicar a inexistência de muita documentação anterior a esse período. Não obstante, algumas das primeiras séries documentais completas são ligeiramente anteriores ao ano de 1846 (recenseamentos, aforamentos, registos…) comprovando que os mesmos autos de fé não foram indiscriminados e poderão mesmo ter sido seletivos (as “papeletas da ladroeira”);

Naturalmente que a alteração das instalações dos Paços do Concelho obriga à mudança de local da documentação do arquivo municipal, pelo que quando o ainda atual edifício foi construído, na década de 40 do séc. XX, nova localização é dada à documentação, sendo o anterior edifício demolido em 1962 / 1963;

Criado o Centro Interpretativo Maria da Fonte em 2015, na sequência da candidatura ao ON.2 e financiado também pelo QREN, a documentação do arquivo municipal (até 1975) tem vindo a ser transferida para o Núcleo Documental do mesmo Centro Interpretativo, onde foram criadas as desejadas condições para a sua acomodação, tratamento acesso e estudo.

Concelho de Vieira do Minho

 

De origem antiga, como o atestam inúmeros elementos arqueológicos, as freguesias que atualmente integram Vieira pertenceram antigamente a vários concelhos, termos, coutos e vilas, hoje extintos:

 

Caniçada, Cova, Salamonde, Soengas e Ventosa pertenceram ao concelho de Ribeira de Soás, deu-lhe foral D. Manuel em 1515;

Parada de Bouro foi pertença do Couto de Parada de Bouro, criado por D. Sancho I, que o deu à famosa Ribeirinha;

Cantelães, Eira Vedra, Mosteiro, Pinheiro, Tabuaças, Vieira e Vilarchão compunham o concelho de Vieira;

Campos e Ruivães eram terras do concelho de Ruivães;

Anjos e Rossas pertenceram ao concelho de Rossas, a quem D. Manuel concedeu foral em 1514;

Guilhofrei que pertenceu ao concelho de Vila Boa da Roda, com foral de 1514, autorgado por D. Manuel;

Soutelo e Louredo pertenciam ao Concelho de Lanhoso, que tem foral dado por D. Dinis em 1292.

 

Foral concedido por D. Manuel I (1514);

A antiguidade da ocupação humana das terras que hoje integram o concelho de Vieira do Minho pode ser atestada pelos inúmeros testemunhos arqueológicos que podem ser vistos no concelho, com particular destaque para a área da Serra da Cabreira, território ocupado desde a pré-história, e as localidades de Salamonde e Ruivães, onde a presença militar de diferentes povos, com destaque para os romanos, atestam o valor estratégico desta área no controle das principais vias de penetração na província. As mamoas, menires, gravuras rupestres , fojos medievais, necrópoles neolíticas, povoações romanas, castros, além de vários utensílios de barro, ferro e outros metais, são exemplos do filão arqueológico da região, bastante sub-explorado aliás;

Da época romana, ainda existem vestígios de alguns troços da via XVII do itinerário Antonino que ligava Braga e Chaves a Astorga, e vestígios de antigos povoados dessa época. É exemplo disso o povoado de S. Cristovão - Ruivães;

Pela extrema importância na estratégia militar, a região sofreu os efeitos da penetração dos diversos povos que invadiram a península, desde os Suevos aos Romanos e, bem mais recentemente, dos exércitos Napoleónicos. De facto, na Primavera de 1809, o concelho foi duas vezes atravessado pelas tropas do marechal Soult: a primeira a 15 de março, em impetuoso avanço a caminho de Braga. A segunda, a 17 de maio, em retirada precipitada pela ponte da Misarela, no dia exato em que as forças anglo-lusas de Wellesley chegavam ao alto de Salamonde, com o objetivo, frustrado, de lhes atalhar o passo;

Este seu pendor para o envolvimento na guerra determinou igualmente que Vieira se envolvesse nas guerras liberais, presenciando Ruivães duros combates entre liberais e absolutistas. Pouco depois, em abril de 1846, Vieira entusiasmava-se com o movimento popular da “Maria da Fonte” onde teve a sua origem e onde habitava o seu mentor: Padre Casimiro José Vieira.

Estas breves notas são bem o testemunho da história de Vieira do Minho, feita mais da sua valia estratégica, do que da memória dos Homens consubstanciada em monumentos e urbes;

A constituição da sede de concelho foi definida pelo Decreto-Lei Nº22593 de 29-05-1933, no lugar de Brancelhe. Foram então desanexados 11 lugares da freguesia do Mosteiro e 1 de Cantelães, constituindo-se assim a freguesia de Vieira do Minho.

 

Concelho de Terras de Bouro

No fundo dos vales, o espaço agrícola retalhado, ora verdejante, ora acastanhado, reflete o ritmo das culturas ao longo do ano; subindo as encostas, surgem as bouças e matos que asseguram a lenha, bem como o pasto e o material para a cama do gado; nas zonas mais altas encontram-se as grandes extensões destinadas ao pastoreio extensivo;

Os núcleos populacionais surgem associados às áreas mais aplanadas, com boa exposição solar e próximo das linhas de água;

Para além disso, as construções erguem-se sobre os afloramentos rochosos, libertando os solos mais férteis para a actividade agrícola.

O enriquecimento da paisagem com formas construtivas estendeu-se através dos muros, levadas, calçadas, pontões, espigueiros, fojos, moinhos, abrigos de pastor ou alminhas...;

Hoje, somam-se à paisagem milenar grandes planos de água das albufeiras ou elementos lineares como novas estradas. Uma vez mais, a paisagem constrói-se, não só através da ocorrência de fenómenos naturais, mas também da forma como as pessoas a transformam e continuarão a transformar.

O território do Parque Nacional da Peneda-Gerês foi objeto de uma antiquíssima ocupação humana desde os tempos proto-históricos até aos nossos dias. Assim, facilmente se descortinam ainda vestígios megalíticos, célticos, romanos e, naturalmente, medievais, atestando a contínua e organizada utilização deste espaço;

Muito antes de Portugal existir como nação, há pelo menos cinco mil anos, já nesta região viviam muitos povos e as montanhas abrigavam comunidades agropastoris, construtoras de grandes monumentos funerários como as antas (túmulos cobertos formando mamoas) como as que ainda se podem encontrar nas extensas necrópoles do planalto de Castro Laboreiro, na Portela do Mezio, nas chãs da serra Amarela ou nos altos frios da Mourela, em Montalegre, delimitando espaços sagrados e fronteiras que perduraram, por vezes, até aos nossos dias;

 
Anta no Mezio (® António Manuel Sousa) | Penedo do Encanto (® António Manuel Sousa).

Vestígios da arte dessas gentes remotas têm como melhores exemplos o notável santuário rupestre de Gião ou o Penedo do Encanto da Bouça do Colado, em Parada;

Mais tarde, na Idade do Ferro, as comunidades humanas fixaram-se em povoados fortificados. Pontuando a cumeeira dos outeiros ou os esporões de meia encosta, estes castros do norte de Portugal, foram, até à chegada dos romanos, a mais importante referência na paisagem e na cultura. Nos territórios montanhosos do Parque Nacional, ou nas suas imediações, arqueosítios como a Calcedónia, o Castro de Outeiro ou o Castro de Donões, em Montalegre, recordam-nos esses tempos recuados.

No ano 173 a.C. as legiões romanas alcançaram pela primeira vez as terras do noroeste da Hispania. Cerca de 138 a.C. o general Décio Junio Bruto, ultrapassando o Douro, atingiu o rio Minho ocupando este território. Foi necessário, entretanto, mais de um século para pacificar os povos aguerridos e irredutíveis Calaicos, bem defendidos pelas muralhas dos seus castros. A romanização do Conventus Bracaraugustano tem na Geira romana, a via 18 do Itinerário de Antonino, um dos mais relevantes monumentos, quer pela conservação do seu traçado sinuoso quer pelo número e qualidade dos seus miliários epigrafados;


Durante os seguintes e conturbados tempos medievais, a transformação da paisagem e o ordenamento do espaço desenvolveu-se segundo os ritmos e pulsações de uma economia agrária. A ligação à sua terra, um certo desejo de autarcidade, a afinidade com horizontes limitados às linhas do relevo envolvente, explicam em parte a representação fechada e a imagem do território, até nós veiculada pelos documentos medievais que se prefigurava na paróquia/freguesia, unidade religiosa de base territorial, e também em volta do mosteiro, como em Santa Maria de Pitões das Júnias e Ermelo ou do castelo, como o de Melgaço, Castro Laboreiro, Lindoso, Nóbrega, Covide e Montalegre,Santa Maria de Pitões das Júnias | Castelo de Lindoso (® AJBarros);

As comunidades do Parque Nacional da Peneda-Gerês, quase isoladas no meio hostil da serra, desenvolveram uma atividade agropastoril de sobrevivência, conseguindo manter até aos nossos dias uma identidade e uma cultura comunitária cuja origem se perde no tempo e que tão bem estava representada na aldeia de Vilarinho da Furna, hoje submersa pela barragem;

Testemunhos vivos desses períodos distantes são, também, as brandas e inverneiras, as silhas dos ursos e os fojos de lobos (ex. fojo de Fafião e fojo da Portela da Fairra), os arcaicos núcleos rurais e pequenos lugares, dispersos pelas encostas ou encastelados nos montes ou, ainda mais tardios, os espigueiros e as eiras comunitárias, relíquias da introdução da cultura do milho no séc. XVII;


As brandas podem ser brandas de cultivo ou brandas de gado e localizam-se no planalto ou em chãs de altitude. São núcleos habitacionais temporários cujos terrenos são usados para a agricultura ou alimentação do gado, durante a primavera/ verão, quando essas áreas de montanha apresentam condições mais favoráveis a essas atividades. Em contraposição às brandas surgem as inverneiras - núcleos habitacionais onde as populações passam o outono e inverno (daí o nome). Presentemente, nessa transumância imposta pelas condições agrestes do meio, nas aldeias que ainda mantém essa migração, as populações apenas transportam consigo o gado e alguns haveres;

Trata-se de uma armadilha usada no passado pelas populações para atrair e matar este mamífero. O lobo-ibérico Canis lupus signatus tem neste Parque Nacional um dos seus últimos refúgios. Trata-se de uma espécie com o estatuto de proteção de "em perigo" de extinção. Segundo ALVARES, et al (2000), os fojos, na maioria dos casos construídos em pedra, serão, talvez, o símbolo máximo das manifestações culturais a nível ibérico da relação, tantas vezes fatal para o lobo, entre as populações humanas e aquele predador. "São estruturas cuja construção envolveu um enorme esforço e grande número de pessoas, sendo, também, verdadeiros monumentos de elevado valor etnográfico, cultural e científico.";

A nível mundial, o norte da Península Ibérica parece ser a região onde existem fojos em maior número e variedade". "De acordo com a sua tipologia e modo de utilização existem 5 tipos distintos de fojos: o Fojo simples; o Fojo de Cabrita; o Fojo de paredes convergentes; o Fojo de alçapão; e o “Corral”. À exceção do fojo simples, com distribuição generalizada, as restantes estruturas distribuem-se maioritariamente nas serras agrestes do nor-noroeste Ibérico, estando, aparentemente, ausentes nas zonas baixas e planálticas mais humanizadas". (in Os Fojos dos Lobos na Península Ibérica. Sua Inventariação, Caracterização e Conservação);

 

Silha, era uma estrutura que protegia os cortiços do apetite por mel do urso-pardo Ursus arctos que vagueou por estas terras até meados do século XVII.

As silhas eram construídas com blocos de granito (abundante na região), em parede dupla, com muros ligeiramente inclinados para fora, sendo a fiada superior ligeiramente saída e com altura sempre superior a 2,8 m. No seu interior, dispostos em pequenos socalcos e travados por pedras, eram colocados os cortiços, de forma circular e feitos de cortiça (daí o nome) e cobertos com um telhado de colmo. Algumas das silhas tinham pequenas portas que davam acesso ao interior;

As silhas, de forma a favorecer o trabalho e a saúde das abelhas, eram sempre construídas em encostas ensolaradas e abrigadas do vento, voltadas a nascente/sul. Eram construídas perto da água e de vastas extensões de matos formados por plantas melíferas, compostos por urzes (Erica spp.), carqueja (Pterospartum tridentatum ssp. tridentatum), tojo (Ulex spp) e giestas (Cytisus spp.);

As comunidades humanas do Parque Nacional da Peneda-Gerês assemelham-se pelas características próprias de regiões de montanha que partilham e distinguem-se pelas especificidades culturais que a história, o isolamento e os diferentes recursos locais lhes conferiram;

A agropecuária é a atividade dominante em quase todo o território do Parque. Uma agricultura de minifúndio assente em culturas cerealíferas (milho e centeio) e na produção de batata, de feijão e de diversos produtos hortícolas, complementa-se com a pastorícia, atividade que constituiu, durante muito tempo, o principal alicerce destas economias de montanha;

 

Embora o seu peso tenha vindo a diminuir, as raças autóctones como a barrosã e a cachena nos bovinos, a cabra-bravia nos caprinos e a ovelha-bordaleira nos ovinos, são ainda importantes fontes de rendimento;

Destaca-se também o garrano, cavalo luso-galiziano que se movimenta em liberdade pelas serras do Parque, pois apesar de ter perdido a sua função de meio de transporte e de auxiliar nas atividades agrícolas, é, até hoje uma espécie pecuária a privilegiar, não apenas pela sua robustez e adaptabilidade à serra, mas também porque se encontrava em perigo de extinção;

A actividade silvícola aparece em estreita ligação com a pastorícia e com a agricultura;

É aos baldios – terras incultas, mantidas em comum e geridas pelas comunidades locais – que a população vai buscar um conjunto de bens essenciais ao processo produtivo e à vida quotidiana: a lenha, a madeira e o mato para a cama dos animais, depois utilizado como fertilizante. É também da exploração florestal dos baldios, na sua maioria sob gestão conjunta do PNPG e das populações, que resulta uma receita importante para as Juntas de Freguesia ou Assembleias de Compartes, depois reinvestida na comunidade;

A apicultura e o artesanato alimentar (o fumeiro, em particular) constituem uma outra componente da atividade agrícola com grande tradição e importância no Parque Nacional da Peneda-Gerês;

Por sua vez, actividades tradicionais como a tecelagem (linho e lã) e a cestaria, fabrico de cestos e cestas e de vestuário, de que são exemplos as croças e coruchos, têm tido maiores dificuldades em resistir à generalização do uso de produtos industriais e são cada vez menos os artesãos que preservam o conhecimento das técnicas tradicionais de transformação de produtos naturais em utensílios de uso doméstico e, mais recentemente, decorativo;

Embora a agropecuária marque ainda de forma determinante a paisagem e o ritmo destas comunidades, o setor secundário, com a construção civil e as obras públicas, e o setor terciário, com o comércio, a restauração e a hotelaria, têm vindo a ganhar peso, surgindo como uma alternativa possível para quem não encontra nos animais e na terra o rendimento necessário. Mas para muitos outros, é ainda a emigração, para os centros urbanos e para o estrangeiro, a opção possível;

Se o ritmo do êxodo rural já não é hoje tão acentuado, são, no entanto, bem visíveis as marcas que décadas de emigração deixaram nestas comunidades: uma população maioritariamente feminina e envelhecida, que procura preservar a sua identidade mantendo a ligação centenária à terra e aos animais, contribuindo, assim, para a continuidade de uma paisagem em que as pessoas e a natureza se integram e que é, sem dúvida, um dos aspetos que melhor caracterizam o Parque Nacional.

 

Concelho Vila Nova de Famalicão

Famalicão, uma das mais jovens cidades de Portugal (1985) e do Minho, sede de concelho e comarca, nasce para a história em 1205, com o foral de D. Sancho I. Alguns autores referem que a povoação hoje denominada Vila Nova de Famalicão já era, nos alvores da nacionalidade portuguesa, sede administrativa e judicial da Terra de Vermoim, de quem, aliás, foi, até ser concelho, cabeça de julgado, herdando-lhe o território;

 

Uma certa tradição pretende, sem fundamento, encontrar a origem (desconhecida) do nome da terra famalicense num pseudo-personagem histórico chamado "Famelião", que ao fixar-se aqui, no tempo dos Condes de Barcelos, terá aberto uma taberna conhecida por "Venda Nova de Famelião...". Ter-se-á que esperar pelo censo de 1527 para aparecer pela primeira vez a referência a "Vila Nova da Famalyquam", embora em 1307 já se fale, nas chancelarias de D. Dinis, em "Fhamelicam";

 

Sendo terra e povoação antiga, Vila Nova de Famalicão é um concelho moderno, criado em 1835, por carta foral da Rainha D. Maria II, a qual também lhe restituiu em 1841, o título de "Vila". Fruto da revolução liberal, é o também da luta persistente e da vontade afirmativa de autonomia das suas gentes, que, durante longas décadas, exigiram a sua desanexação de Barcelos, imposta em 1410, pondo fim a séculos de declínio e apagamento político;

 

A partir de meados do século XIX, depois da refundação do concelho e com a abertura da estrada Porto-Braga em 1851 e do caminho-de-ferro (1875), Famalicão entra numa fase de grande desenvolvimento. Constroem-se edifícios públicos, como o Hospital da Misericórdia (1878) e os Paços do Concelho (1881) e erguem-se na nova estrada, então Rua Formosa, "edifícios particulares luxuosos" com capitais vindos do Brasil, de que é exemplo paradigmático o Palacete da Trovisqueira. É nessa época que começam a instalar-se, na então vila e no concelho, fábricas e oficinas "que vão mudar a fisionomia da terra e torná-la, pouco a pouco, centro de uma grande zona comercial e industrial";

 

São os casos da Boa Reguladora (1892), Tipografia Minerva (1886) e das fábricas têxteis em Riba de Ave, a primeira das quais em 1890 do Barão da Trovisqueira e a Sampaio Ferreira em 1896 por Narciso Ferreira;

"No fim do século XIX e princípios dos actual, Famalicão teve porventura, o período áureo da sua vida intelectual e artística";


Apesar da morte de Camilo Castelo Branco em 1890, depois de ter escrito em Ceide boa parte da sua obra, floresce na viragem do século, em Famalicão, um punhado de escritores, poetas e jornalistas que fundam jornais ("Gazeta do Minho" - 1882, "Gazeta de Famalicão" e o "Minho" - 1884, o "Porvir", "O Leme" e "Estrela do Minho" - 1895), revistas ("Alvorada" - 1885 e "Nova Almada" - 1891) e editaram livros que ainda hoje são marcos na história literária e cultural: Júlio Brandão publica o seu primeiro livro de poemas "O Livro de Aglais" (1892), enquanto Bernardino Machado ensina em Coimbra e aí produz e edita grande parte do seu pensamento pedagógico ("O Ensino") em 1898 e político ("Pela Liberdade") em 1901. Alberto Sampaio vai dando à estampa, em revistas (Revista de Guimarães e Revista de Portugal), as investigações históricas, realizadas no silêncio da sua Casa de Boamense, que serão, após a morte (1908), reunidas nas "Vilas do Norte de Portugal" e "Póvoas Marítimas";


É também, por essa altura, que os poetas Manuel Dias Gonçalves Cerejeira e Sebastião de Carvalho editam, respectivamente, "Cinzas" (1896) e "Rosas da Minha Terra" (1915). Por seu lado, o Conde de Arnoso da Casa de Pindela, do grupo dos "Vencidos da Vida", publica "Azulejos" (1886);
 

Liderando um dos pólos de desenvolvimento do Vale do Ave, a cuja Associação de Municípios pertence, o município de Famalicão, com cerca de 120.000 habitantes, está solidário e trabalha pela modernização da indústria têxtil (dominante) e pela diversificação industrial, quando se assiste à implantação crescente da indústria da alimentação;


Outra batalha importante do presente é a preservação da identidade e a defesa do património natural e histórico-cultural. As belezas paisagísticas e os miradouros (Monte do Facho, Santa Catarina, Senhor dos Aflitos), assim como o património arquitectónico construído ao longo de séculos (castros, casas solarengas), as pontes românicas (Lagoncinha, S. Veríssimo, Coura e Gravateira), a memória camiliana, onde avulta a Casa de Camilo, as Igrejas românicas, capelas e cruzeiros (cruzeiro em granito em Arnoso Santa Maria do séc. XIV), são riquezas inestimáveis que dando dimensão histórica à nossa condição humana, devolvem um sentimento colectivo, imperecível, de famalicenses e cidadãos do mundo.

 

Concelho de Vila Verde

O actual território de Vila Verde foi constituído, em 24 de Outubro de 1855, com a extinção de outros antigos coutos ou concelhos medievais: Aboim da O actual território de Vila Verde foi constituído, em 24 de Outubro de 1855, com a extinção de outros antigos coutos ou concelhos medievais: Aboim da Nóbrega, Cervães, Larim, Penela, Pico de Regalados, Prado, Valdreu e Vila Chã;

O território de Vila Verde [...] ofereceu sempre condições propícias à instalação de comunidades humanas desde os mais remotos tempos pré-históricos. De facto, nas plataformas montanhosas centrais - Monte do Borrelho, desenvolvem-se extensas chãs onde abundam vestígios da época megalítica, sobretudo na sua forma funerária: as mamoas e antas. Ocupando situações estratégicas privilegiadas numa região potencialmente agrícola pela abundância dos cursos de água, revelam também importantes testemunhos da ocupação desde o período Proto-histórico ao Medieval (S. Julião, Barbudo, Santa Helena, Santo Ilus) numerosos montes e outeiros de média altitude espalhados um pouco por todo o concelho. Nestes "lugares antigos", castros, castelos ou citânias, sítios arqueológicos bem conhecidos das populações, correspondem a uma forma de ocupação específica do Noroeste da Península Ibérica, durante a idade do Ferro;

Muitos destes povoados sobreviveram à chegada dos romanos, encontrando-se em muitos destes vestígios que testemunham a aculturação das populações indígenas, mantendo-se nalguns casos (S. Julião e Barbudo) ocupados até à época medieval. Outros foram abandonados, tendo os seus habitantes sido integrados na organização socio-económica do mundo romano. No ano 173 a.C., as legiões romanas alcançaram pela primeira vez os territórios desconhecidos do Noroeste da Hispânia. Será, no entanto, necessário mais um século para pacificar as aguerridas tribos que ocupavam estes territórios. No concelho de Vila Verde, a presença dos romanos está testemunhada, quer nos castros quer nas terras baixas e associam-se a um dos aspectos mais significativos da romanização: a construção de pontes e estradas. As fundações da Ponte Velha de Goães e Caldelas, os vestígios da via Braga-Tuy, a 4ª do Itinerário de Antonino e os marcos miliários de Prado, constituem os testemunhos mais importantes da presença dos romanos nestas paragens.

No século V da nossa era, povos bárbaros, oriundos da Europa Central, põem fim ao domínio imperial romano no Ocidente, iniciando-se então um novo período na História da Europa, a Idade Média. Os vestígios dessa época traduzem as características históricas dominantes: o estado de guerra generalizada e a insegurança das populações, a sólida implantação do cristianismo e o nascimento das nações europeias. Em Vila Verde, os testemunhos mais antigos deste período, reflectindo um empobrecimento da vida material e cultural, surgem-nos essencialmente sob a forma de vestígios de redutos ou povoados fortificados, alguns como exemplos específicos da ocupação medieval - Castelo roqueiro de Aboim da Nóbrega, a atalaia do Borrelho em Dossãos, local fortificado de S. Miguel de Prado -, outros como provável readaptação de castros e castelos - Castelo de Barbudo, Castelo do Monte dos Francos em Rio Mau e Côto dos Mouros em Dossãos ou ainda o Castelo do Vairão, em Gomide. Da fase mais adiantada da Idade Média, tempo em que se desenham já elementos culturais novos a par de uma progressiva abertura sócio-económica, existem numerosos testemunhos monumentais entre pontes, vias, torres e igrejas de traça românica;

O século XVIII, nascido sob o signo da riqueza aparente do ouro do Brasil, manifesta-se em Vila Verde através de uma arquitectura civil e religiosa, de traça por vezes indefinida, que traduz a ostentação e a necessidade de ascensão social características desse tempo. Como exemplos mais significativos da arquitectura barroca encontramos o Solar de Carcavelos, a Casa da Madalena, o Solar de Febros, a Casa de Serrazim ou ainda o Solar do Fundão. Também o grupo escultórico e a Igreja de Soutelo, a Capela de S. Miguel-o-Anjo (Rio Mau) e a Capela de S. Sebastião (Sande), são exemplos da rica produção deste período. Finalmente e do séc. XIX são conhecidos neste concelho mais de cinquenta lugares e/ou elementos rurais com interesse antropológico e etnográfico - conjuntos rurais arcaicos, velhos caminhos, povoamentos de montanha, espigueiros, moinhos, azenhas, eiras, antigas formas de emparcelamento e um "fojo do lobo" em Gondomar. De Bezeguimbra a Aboim, de Mixões da Serra a Casais de Vide, vai toda uma tradição, uma cultura, uma forma de viver que merece ser estudada e visitada;


O actual território de Vila Verde foi constituído, em 24 de Outubro de 1855, com a extinção de outros antigos coutos ou concelhos medievais: Aboim da Nóbrega, Cervães, Larim, Penela, Pico de Regalados, Prado, Valdreu e Vila Chã. Pico de Regalados, primitivamente, foi couto dado por D. Afonso Henriques ao Arcebispo de Braga, D. Paio Mendes. Foi tido como um dos mais antigos e aristocráticos do País. D. Manuel I concedeu-lhe foral em 13 de Novembro de 1513. Vila Chã e Larim foram os primeiros forais concedidos por D. Afonso III. A Penal, também conhecido por Penela, Portela de Penal ou Portela das Cabras, foi-lhe concedido foral por D. Manuel I, em 6 de Outubro de 1514. Prado recebeu foral de D. Afonso III, concedido em 1260. D. Manuel I confirmá-lo-ia em 1510. Nessa altura, boa parte do território do actual concelho aparece na posse da poderosa família da condessa Mumadona e do seu marido, o conde Hermenegildo Gonçalves. Durante o séc. XI, nota-se no território do actual concelho uma espécie de logradouro da alta nobreza portucalense, descendente directa da referida condessa. Até ao séc. XVII, a freguesia de Vila Verde não se distinguiu das outras do concelho a que pertencia. Porém, nos princípios do séc. XVIII, parece que seria já sede do concelho de Vila Chã, com uma importante feira mensal. Desde aí, continuou num progresso contínuo, até que, por ocasião das reformas administrativas de 1855, os antigos municípios foram extintos e unificados sob a designação de Vila Verde.

Textos de Henrique Regalo

Concelho Vizela

 

Vizela está integrada no Vale do Vizela. Foi em Vizela que começou toda a atividade económica e política desta região, pelas suas condições geográficas que, desde muito cedo atraíram o homem.

 

A descoberta das águas termais

A chegada dos Romanos à Península Ibérica, no século III a.C., trouxe grandes transformações, em especial a descoberta das águas termais, com capacidades únicas no tratamento de determinadas doenças, entre as quais o reumatismo e as afeções das vias respiratórias.

Vizela tornou-se conhecida pelas virtudes terapêuticas das suas múltiplas nascentes de água, onde acorria gente de toda a Ibéria.

Outra obra com a assinatura dos povos romanos é a ponte de Vizela, conhecida por “ponte velha”, e que resistiu a séculos de utilização, estando classificada como monumento nacional.

No ano de 607, século VII, realizou-se um concílio para a divisão do território em bispados, surgindo, assim, as primeiras paróquias portuguesas, entre as quais, Oculis, ou seja, Caldas de Vizela.

 

1361: Vizela foi concelho

O ano de 1361 foi o primeiro grande momento da história de Vizela, tendo esta alcançado a independência administrativa e formado, pela primeira vez, concelho próprio.

Em Tagilde, a 10 de Julho de 1372, assinou-se um importante acordo político, o chamado pacto de Tagilde, um tratado de aliança entre Portugal e Inglaterra.

Depois de um certo período de adormecimento, as termas renasceram no século XVIII. Em 1785, iniciou-se a construção, no sítio da Lameira, de uma barraca coberta de colmo, que iria constituir as primeiras instalações das termas de Vizela. Nos anos seguintes, foram construídas algumas barracas em pedra. Já no século XIX, foi dada autorização régia para a construção dos banhos, os antecessores das atuais Termas, que começaram a ser construídas em finais do século XIX (1870). Em 1873, é fundada a Companhia dos Banhos de Vizela, que contribuiu, de forma preponderante, para o urbanismo vizelense, dos séculos XIX e XX.

 

O renascer do espírito independentista

Com a criação da Companhia dos Banhos, a povoação cresce, e com ela renasce a consciencialização autonómica da população, que estava enfraquecida há vários séculos, dando origem, durante o século XIX, ao renascer da luta pela autonomia de Vizela.

Naquela altura, Vizela vivia momentos de grande vigor económico, sendo a estância termal considerada uma das melhores do país, servindo de polo dinamizador de toda a região.

 

Elevação a Vila

Em 1929, Vizela é elevada à categoria de vila, em plena ditadura de pré-Estado Novo. Mas, os vizelenses não ficaram satisfeitos e não desistiram da sua luta pela criação do concelho. Em 1964, é fundado o MRCV – Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, que se propôs liderar a luta pela criação do concelho.

Com o 25 de Abril, veio a promessa de uma nova lei sobre os municípios e as esperanças dos vizelenses aumentaram.

Nos anos 80, os acontecimentos na Assembleia da República foram acidentados. Em 1982, o Partido Popular Monárquico apresentou uma proposta de criação do concelho, mas esta foi rejeitada. O PSD também fez promessas, que não cumpriu. Como resposta, os vizelenses boicotaram as eleições autárquicas de Dezembro desse ano.

 

Luta valeu a pena

A 19 de março de 1998, os projetos-lei de elevação de Vizela a concelho foram aprovados e Vizela era, finalmente, elevada à categoria de cidade.

Mais de seis mil vizelenses, que se tinham deslocado até Lisboa, fizeram a festa, à porta da Assembleia da República. Também em Vizela, a festa foi rija e culminou com um espetáculo de fogo-de-artifício, organizado pelo MRCV.

A luta valeu a pena…

O desejo concretizou-se…

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